Cirurgia Robótica de Rim: Indicações e Vantagens | Dr. Eduardo Costa

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Com o avanço da tecnologia, uma série de dispositivos são desenvolvidos diariamente.

A cirurgia robótica de rim é um exemplo de procedimento minimamente invasivo que vem ganhando destaque devido às suas inúmeras vantagens.

Ela pode ser realizada para o tratamento de uma série de alterações renais e fornecem diversos recursos que facilitam o procedimento e otimizam o resultado cirúrgico.

O objetivo deste artigo é explicar sobre a cirurgia robótica de rim, suas indicações, vantagens, desvantagens, recuperação e cuidados no pós operatório.

O que é a cirurgia robótica de rim?

É um procedimento cirúrgico, minimamente invasivo para o tratamento de diversas patologias renais, em que o cirurgião opera através de um console.

Por meio do console, o cirurgião visualiza em alta definição e em tempo real por dentro do paciente e realiza movimentos que são reproduzidos pelos braços robóticos.

O robô que está com seus braços acoplados ao paciente, com múltiplas pinças e uma microcâmera, interpreta e reproduz os movimentos que o médico cirurgião realiza no console.

Estes movimentos robóticos apresentam amplitude semelhante a uma mão humana e são suavizados e sem tremores, tornando este procedimento menos agressivo e mais preciso.

A cirurgia robótica de próstata é um procedimento mais difundido que a cirurgia de rim. No entanto, esta última também apresenta diversas indicações.

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Ilustração de uma cirurgia robótica de rim.
O cirurgião realiza os movimentos no console, que são interpretados pelos braços robóticos, acoplados ao paciente.

Indicações

A cirurgia robótica de rim é indicada para uma série de patologias, sendo as principais:

Tumores renais: Pode ser utilizada tanto para a retirada completa do rim (junto com o tumor) ou parcial (somente do tumor).

Estenose de Junção Ureteropiélica (JUP): Estreitamentos do ureter em toda a sua extensão podem ser reconstruídos por essa técnica com maior facilidade, devido à ergonomia favorável.

Retirada total do rim: Principalmente em casos de rim não funcional, associados à infecção urinária de repetição.

Ureterolitotomia: Em casos extremamente selecionados, a cirurgia robótica de rim pode ser utilizada até para retirada de cálculos renais extensos impactados no ureter.

Cisto no rim: Nos casos de cistos extensos ou suspeitos de neoplasia renal.

Vantagens

Segundo uma revisão sistemática, publicada no European Urology, as principais vantagens da cirurgia robótica de rim quando comparada a cirurgia convencional são:

– Menor tempo de internação

– Retorno precoce às atividades

– Menor perda sanguínea

– Menor dor pós-operatória

– Menor risco de complicações

Outra vantagem muito importante é a melhor estética (são realizadas discretas incisões) que são suturadas com pontos absorvíveis e cola cirúrgica.

Desvantagens

– Custo: é um procedimento que apresenta um custo mais elevado quando comparado a outros procedimentos, que inclui os honorários médicos e a taxa do uso do robô;

– Expertise: é necessário um urologista com subespecialidade em cirurgia robótica, o que não é padrão entre todos os urologistas.

– Disponibilidade: diversos hospitais em diferentes regiões do Brasil ainda não possuem robôs disponíveis para este procedimento.

Como é feita a cirurgia robótica de rim?

Este procedimento é realizado em centro cirúrgico com anestesia geral, com duração de 02 a 04 horas.

O procedimento varia de acordo com a indicação cirúrgica (retirada parcial de tumor renal, retirada total do rim, reconstruções ureterais).

Mas de forma geral, inicialmente são realizadas 04 pequenas incisões paralelas ao umbigo em que serão inseridos os trocateres.

Após a passagem do primeiro trocater é iniciada a insuflação de gás que irá ampliar o campo de visão para realização da cirurgia.

A seguir, os braços robóticos são acoplados a estes trocateres e as pinças robóticas são inseridas.

Após isto, o médico auxiliar continua ao lado do paciente durante todo o procedimento, enquanto o cirurgião vai para o console.

O cirurgião então realiza a cirurgia através do console, que reproduzirá seus movimentos aos braços robóticos.

A cirurgia é realizada com a dissecção de diversas estruturas, com o descolamento do cólon, exposição adequada de todo o rim, vasos renais e ureter.

Em casos de nefrectomia parcial (retirada somente do tumor), este é identificado, a artéria renal é clampeada (para diminuir o sangramento) e o tumor é ressecado. Após isto, a reconstrução renal é realizada.

Já em casos de reconstruções ureterais, após exposição adequada do ureter, é realizada uma incisão, ressecção da porção afetada e reconstrução através de pontos e passagem do cateter duplo j.

Por fim, nas retiradas totais dos rins, são realizadas ligaduras das artérias e veias renais e do ureter, seguido pela remoção do rim.

Em determinados casos, é locado um dreno próximo à região manipulada para retirada de pequenas secreções.

Após isto, o paciente acorda da anestesia geral e é encaminhado ao repouso anestésico.

A seguir, é transferido para o quarto, onde irá se alimentar e caminhar no pós operatório. 

Cicatriz

A cicatriz é super discreta com 04 pequenas incisões no abdome, paralelas ao umbigo e menores que 1cm.

Caso haja a necessidade de remoção do rim, uma nova incisão de 05cm é realizada para a retirada da peça.

Os pontos realizados são intradérmicos absorvíveis (semelhantes aos realizados nas cirurgias plásticas), não sendo necessária sua remoção.

Riscos

Estes riscos variam de acordo com a indicação cirúrgica.

De forma geral, os riscos são:

– Infecções;

– Sangramentos;

– Vazamento de urina (em casos de manipulação da via urinária);

– Lesão de grandes casos sanguíneos;

– Lesão de órgãos adjacentes (intestino, fígado, baço).

É válido lembrar que em casos de nefrectomia parcial (retirada parcial do tumor renal) há sempre o risco de conversão deste procedimento para uma nefrectomia radical ou total (retirada completa do rim).

Há também o risco de conversão para uma cirurgia aberta (com corte) caso seja necessário para preservar a integridade do paciente.

No entanto, a cirurgia robótica é um procedimento minimamente invasivo que visa minimizar os riscos inerentes a qualquer tipo de cirurgia.

Preparo

Avaliação pré operatória: coletar os exames de sangue, radiografia de tórax e eletrocardiograma) e complementares (caso haja indicação pelo anestesista ou cardiologista);

Evitar depilação da região abdominal (a tricotomia é realizada no próprio hospital, antes do início do procedimento);

– Levar o termo de consentimento assinado e documentos pessoais;

Levar todos os exames com as imagens no dia da cirurgia;

– Comparecer ao hospital com acompanhante, 03 horas antes do procedimento;

– Não suspender os medicamentos de rotina (somente quando orientado pelo médico).

Recuperação

A recuperação é bastante tranquila.

Pode ocorrer inchaço e discreto desconforto abdominal, devido à infusão de gás e manipulação cirúrgica.

Este desconforto é facilmente tratado com o uso de analgésicos, procinéticos e medicamentos para gases, prescritos após a cirurgia.

A sonda vesical de demora normalmente é removida no primeiro dia de pós operatório, assim como o dreno.

Além disso, uma série de cuidados são orientados ao paciente para otimizar a sua recuperação.

Cuidados pós operatórios

– Utilizar os medicamentos prescritos;

Não realizar atividades físicas intensas até liberação médica;

– Lavar e secar bem a região dos pontos;

– Ingerir uma dieta leve, rica em fibras (verduras, legumes)

– Ingerir 02 litros de água diariamente;

– Caso tenha sido inserido um cateter duplo J durante a cirurgia, lembrar que este deve ser removido de 4 a 6 semanas após a cirurgia;

– Qualquer dúvida, entrar em contato direto com o seu médico urologista.

É importante também guardar e levar o resultado da biópsia (caso ela seja realizada) para levar ao seu médico no retorno.

Quanto custa uma cirurgia robótica de rim?

O preço da cirurgia robótica de rim varia de acordo com a indicação, equipe médica, hospital em que o procedimento será realizado e a taxa hospitalar para o uso do robô.

Os convênios médicos podem cobrir a internação e reembolsar parcialmente ou totalmente os honorários médicos, mas atualmente não cobrem a taxa de uso do robô.

Caso tenha interesse em saber mais sobre este procedimento, entre em contato clicando no símbolo de whatsapp ao lado.

Onde fazer cirurgia robótica de rim em São Paulo (SP)?

Este procedimento é realizado nos principais hospitais de São Paulo (SP).

O hospital é escolhido em conjunto com a equipe médica baseado nas preferências do paciente, cobertura pelo convênio e disponibilidade do robô.

Estamos à disposição para receber você em meu consultório.

Ele fica localizado no Jardim Paulista em São Paulo, próximo aos bairros: Jardins, Bela Vista, Pinheiros, Higienópolis e Consolação.

Para contato, clique aqui ou no símbolo de whatsapp.

Conclusão

A cirurgia robótica de rim é um procedimento minimamente invasivo que apresenta diversas vantagens.

Neste artigo, explicamos sobre o que é esta nova via cirúrgica, suas indicações, vantagens, desvantagens, recuperação e cuidados pós operatórios.

Até a próxima!

Perguntas Frequentes

Quanto tempo demora a recuperação de uma cirurgia de retirada de um rim?

Quando realizada por via robótica, o paciente tem alta 1 a 2 dias após a cirurgia.

No entanto, este tempo pode variar, a depender das condições de cada paciente e da indicação cirúrgica.

A recuperação também é variável, mas os pacientes normalmente estão dispostos a realizar atividades cotidianas após 07 dias, sendo liberados para todas as atividades após 30 dias.

Quais são os tipos de cirurgia nos rins?

Cirurgia aberta (convencional): é realizada uma incisão abdominal extensa, por onde a cirurgia é realizada. Pode ser aplicada a maioria das patologias renais: tumores renais, pedras nos rins, reconstruções ureterais;

Endoscópica: todo o procedimento é feito por dentro das vias urinárias, com o uso de laser e equipamentos delicados. Ela é indicada normalmente para pedras nos rins e obstruções ureterais;

Percutânea: uma pequena incisão é realizada no dorso do paciente, seguida por uma dilatação e inserção dos equipamentos percutâneos. Ela é indicada para extensos cálculos renais (maiores que 02 cm), cálculos coraliformes ou extremamente rígidos;

Laparoscópica: pequenas incisões são realizadas no abdome, seguido de insuflação de gás e cirurgia por pequenas pinças. Assim como a cirurgia aberta, pode ser aplicada para a maioria das patologias renais (tumores renais, pedras nos rins, reconstruções ureterais);

Robótica: semelhante à cirurgia laparoscópica são realizadas pequenas incisões, no entanto, os trocateres são aplicados aos braços robóticos e a cirurgia é realizada através de um console, com uma visão de alta definição, ampliada e em 3 dimensões, assim como um movimento suavizado e sem tremores. Pode ser aplicada para a maioria das patologias renais (tumores renais, pedras nos rins, reconstruções ureterais).

Referências

  1. Ministério da Saúde.
  2. Pubmed. Crocerossa, Fabio et al. “Robot-assisted Radical Nephrectomy: A Systematic Review and Meta-analysis of Comparative Studies.” European urology vol. 80,4 (2021): 428-439. doi:10.1016/j.eururo.2020.10.034
  3. Mount Sinai.

Artigo escrito por:

Dr. Eduardo Costa

Dr. Eduardo Costa

Médico Urologista. CRM: 175220-SP | RQE: 103714 Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (Cirurgia Robótica, Videolaparoscopia e Laser)

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