Estenose uretral é grave? Conheça esta doença | Dr. Eduardo Costa

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A estenose uretral é uma doença fibrótica que acomete milhares de pessoas ao redor do mundo.

Devido a suas múltiplas causas, pode acometer tanto homens, quanto mulheres, das mais diversas idades.

Ela é uma doença que pode causar um desconforto intenso e progressivo, por isso, é fundamental o seu diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento.

O objetivo deste artigo é explicar o que é a estenose uretral, suas principais causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos.

O que é estenose uretral?

É o estreitamento fibrótico da uretra, que é o trajeto da urina entre a bexiga e o meio externo.

Este afilamento do calibre pode ser único ou múltiplo e acometer diversas porções da uretra.

Pode apresentar graus de obstruções que variam desde brandos até intensos, assim como extensões de estenose diferentes.

Ademais, este estreitamento difere em prevalência e localização entre homens e mulheres, que explicaremos a seguir.

Masculina

A estenose uretral acomete mais os homens, principalmente após os 55 anos.

Isso se deve a vários fatores, mas principalmente pelo tamanho da uretra do homem ser mais longa e suscetível a alterações.

A uretra masculina apresenta em torno de 18 a 22cm e é dividida em uretra anterior e posterior.

A porção anterior é composta pela fossa navicular, uretra peniana e bulbar. Já a uretra posterior, é composta pela uretra membranosa e prostática.

A uretra bulbar é a região mais acometida pelas estenoses de uretra masculina.

Feminina

Apesar de mais rara, essa doença também pode acometer mulheres, sendo mais prevalente após os 64 anos.

A uretra feminina é significativamente mais curta e apresenta em torno de 4cm.

Ela é dividida em sua porção proximal, média e distal.

Estenose uretral é grave?

Não necessariamente, depende do tipo e grau de estenose.

Estenoses discretas que não causam sintomas, podem ser somente acompanhadas pelo médico urologista.

No entanto, quando a estenose apresenta longa extensão e localização não favorável, ela exige um tratamento mais complexo, geralmente cirúrgico.

É importante lembrar que esta é uma doença fibrótica que possui alta taxa de recidiva.

Desta forma, tão importante quanto o tratamento, será o acompanhamento com o médico urologista que irá identificar alterações e tratar adequadamente.

Sintomas

Os principais sintomas são:

  • Dificuldade e/ou impossibilidade de urinar;
  • Jato urinário fraco;
  • Dor ou desconforto na micção;
  • Infecção urinária recorrente;
  • Aumento da frequência urinária.

É fundamental lembrar que devido aos diferentes espectros da doença, estes sintomas podem variar tanto na sua frequência, quanto intensidade.

Causas

Essa doença apresenta múltiplas causas, que acometem homens e mulheres de diferentes faixas etárias, destacando-se:

  • Traumáticas: acometem normalmente indivíduos mais jovens, que sofreram acidentes com traumas e/ou fraturas de bacia, pênis, testículos e uretra.
  • Infecciosas: após inflamações na uretra (uretrites) causadas por infecções sexualmente transmissíveis ou não.
  • Inflamatórias: secundária a doenças que causam inflamação periuretral e, consequentemente, uma fibrose, como o líquen escleroso.
  • Após procedimentos: após cirurgias ou procedimentos que podem lesionar a uretra como sondagem vesical, radioterapia, cirurgias de hipospadia, pedra no rim, cistoscopias, raspagens da próstata e da bexiga.
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Através da uretrocistografia miccional retrógrada, é possível injetar contraste (região branca) pela uretra e observar todo o seu trajeto até a bexiga. Isso possibilita o diagnóstico da estenose uretral.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado pelo médico urologista, através da história clínica, exame físico e complementares, como:

  • Exame de urina 1;
  • Uretrocistografia miccional retrógrada;
  • Urofluxometria;
  • Ultrassonografia de rins e vias urinárias;
  • Uretrocistoscopia.

Através do exame físico, é possível observar se há alguma obstrução do meato uretral ou alterações extrínsecas que comprimam a saída da uretra.

O exame de urina é essencial para excluir infecções urinárias, que apresentam uma maior incidência em pacientes com essa patologia.

A ultrassonografia é essencial para verificar o resíduo pós miccional (se sobra urina após a micção) e para excluir outras causas, como a hiperplasia prostática benigna.

A uretrocistografia miccional retrógrada é um exame de extrema importância, pois permite a visualização de toda a uretra, tanto no repouso quanto na micção.

Isso é essencial para avaliar o calibre da uretra e verificar o local da estenose, irregularidades, extensão do estreitamento e presença de lesões adjacentes.

A urofluxometria é um exame complementar não invasivo que também avalia o fluxo urinário, para verificar se há comprometimento deste pela obstrução.

Outro exame que pode complementar esta investigação é a uretrocistocopia, que é um exame endoscópico, que permite a visualização em tempo real da uretra, por dentro do canal urinário.

Este método visualiza a estenose, grau de estreitamento e auxilia a definição do melhor tipo de tratamento.

Tratamento

O tratamento é extremamente individual e depende basicamente das seguintes condições:

  • Localização;
  • Extensão;
  • Causa;
  • Primeiro episódio ou recidiva;
  • Lesão única ou múltipla;
  • Performance e condições individuais do paciente.

A partir destas características, o médico urologista em conjunto com o paciente irá decidir sobre o melhor tipo de tratamento.

O tratamento pode variar desde a dilatação uretral, uretrotomia interna, uretroplastias diversas e a própria cistostomia.

A cirurgia de estenose uretral será discutida em detalhes em outro artigo.

Onde tratar estenose uretral?

Realizo a investigação e tratamento no meu consultório, localizado no Jardim Paulista, São Paulo -SP.

Caso sejam necessários procedimentos cirúrgicos, realizo nos principais hospitais de São Paulo -SP.

Para entrar em contato, clique aqui ou no símbolo de WhatsApp ao lado.

Pode voltar após a cirurgia?

Sim. Esta é uma doença que exige tratamento e acompanhamento pelo médico urologista, devido as altas taxas de recorrências.

De acordo com um estudo científico publicado na revista Journal of Urology, a taxa de recidiva após dilatação uretral ou uretrotomia interna é extremamente alta.

Neste estudo, identificou-se uma recidiva de 50% após 01 ano para estenoses de 2 a 4 cm e uma taxa de 40% para estenoses menores que 2cm.

Prevenção

A melhor forma de prevenção é evitar traumas nessa região e infecções sexualmente transmissíveis.

Dessa forma, caso você realize cateterismo intermitente limpo, é recomendado utilizar uma lubrificação adequada antes do procedimento.

É recomendado o uso de preservativos durante a relação para evitar a infecção por clamídia e gonococo, que são infecções sexualmente transmissíveis que podem causar a estenose.

Caso tenha adquirido uma uretrite, realize o tratamento corretamente e faça o acompanhamento com o urologista.

Conclusão

Neste artigo, explicamos as principais informações sobre a estenose uretral, seus sintomas, causas, diagnósticos e tratamentos.

Este estreitamento do canal da urina é extremamente incômodo e com altas taxas de recidiva, sendo necessário o acompanhamento a longo prazo. 

Espero que tenham gostado do artigo!

Um abraço.

Perguntas frequentes

Estenose de uretra causa impotência?

Apesar de não existir um consenso, observa-se uma maior incidência de impotência sexual masculina em pacientes com estenose de uretra.

Acredita-se que isso seja resultado do impacto psicológico causado pela doença, assim como as morbidades dos tratamentos cirúrgicos.

No entanto, mais estudos são necessários para validar este achado.

O que é bom para abrir o canal da uretra?

O melhor tratamento para abrir o canal da uretra é o cirúrgico.

O tratamento para a desobstrução do canal da uretra depende de sua extensão, porção da uretra acometida, se é o primeiro episódio de estreitamento ou não, e de características individuais de cada paciente.

Dentre os principais tratamentos, destacam-se:
– Dilatação uretral;
– Uretrotomia interna;
– Uretroplastia;
– Enxerto de mucosa.

Referências

  1. Steenkamp, J W et al. “Internal urethrotomy versus dilation as treatment for male urethral strictures: a prospective, randomized comparison.” The Journal of urology vol. 157,1 (1997): 98-101.
  2. Pang, Karl H et al. “A Systematic Review and Meta-analysis of Adjuncts to Minimally Invasive Treatment of Urethral Stricture in Men.” European urology vol. 80,4 (2021): 467-479. doi:10.1016/j.eururo.2021.06.022
  3. Stein, Marshall J, and Rowena A DeSouza. “Anterior urethral stricture review.” Translational andrology and urology vol. 2,1 (2013): 32-8. doi:10.3978/j.issn.2223-4683.2012.11.05

Artigo escrito por:

Dr. Eduardo Costa

Dr. Eduardo Costa

Médico Urologista. CRM: 175220-SP | RQE: 103714 Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (Cirurgia Robótica, Videolaparoscopia e Laser)

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