Hidronefrose é grave? Conheça as 5 principais causas | Dr. Eduardo Costa

hidronefrose é grave

A hidronefrose é uma alteração extremamente frequente, muito observada em exames de imagem como a ultrassonografia ou a tomografia. 

Ela causa danos progressivos ao rim e deve ser tratada de acordo com a sua causa.

Mas afinal, ela é grave? O que devo fazer?

O objetivo deste artigo é explicar o que é a hidronefrose, seus sintomas, principais causas e tratamentos.

O que é a hidronefrose?

A hidronefrose é a dilatação da pelve e dos cálices renais. Ela pode ser acompanhada ou não de dilatação do ureter.

Para entendê-la melhor, é necessário compreender o trajeto da urina.

O fluxo natural da urina, após ser filtrada pelos rins, é passar pela pelve renal, chegar ao ureter e ser encaminhada até a bexiga, onde será armazenada e eliminada, passando pela uretra.

Qualquer obstrução dessas estruturas acima citadas, resulta no acúmulo de urina e, consequentemente, um rim dilatado.

Estas obstruções podem ser provenientes do próprio trato urinário ou externa a ele. Pode ainda ser aguda, crônica, fisiológica (gravidez), uni ou bilateral.

rim dilatado com hidronefrose
Na hidronefrose, identifica-se uma dilatação importante da pelve renal e um afilamento do parênquima renal, causados por uma obstrução (círculo vermelho).

Sintomas

Os principais sintomas da hidronefrose são:

  • Dor lombar que pode irradiar para o abdome;
  • Náuseas e vômitos;
  • Desconforto ao urinar;
  • Aumento da frequência urinária;
  • Sangramento na urina;
  • Febre (somente se infecção associada).

É válido lembrar que estes sintomas variam de acordo com a causa, intensidade e se o quadro é agudo ou crônico.

Diversos pacientes não apresentam nenhum sintoma e identificam este achado nos exames de rotina.

Hidronefrose é grave?

Sim. Ela pode causar um dano significativo, progressivo e irreversível ao rim.

Desta forma, o tempo e o grau de obstrução determinarão a perda ou a recuperação da função renal após a desobstrução.

Quanto mais precoce a desobstrução renal, maiores as chances do rim recuperar a sua função.

Em dilatações crônicas, ocorre uma deformação do sistema coletor renal, compressão das papilas e afilamento do parênquima renal.

Nestes casos, não há uma recuperação adequada da função renal após a desobstrução.

Com isso, pode-se concluir que a investigação imediata e o tratamento precoce são essenciais para atenuar os danos renais.

Causas

Ela é causada por diversas doenças que impedem ou dificultam o fluxo natural da urina.

Qualquer obstrução do trato urinário, desde a uretra, próstata (nos homens), bexiga, ureteres e rins, pode gerar essa alteração.

E além disso, ainda existem as causas extrínsecas ou externas, que comprimem o ureter e impedem o fluxo urinário.

Ureterolitíase

Quando a pedra no rim ou litíase renal migra para o ureter e o entope, é chamada de ureterolitíase.

O cálculo impede a drenagem da urina, que se acumula na pelve renal e gera a hidronefrose.

Este é um evento agudo, em que subitamente as pessoas sentem uma dor lombar de forte intensidade, associada a náuseas, vômitos, sangramento na urina e aumento da frequência urinária.

Ela pode ou não estar associada a infeções, secundárias a essa obstrução.

Caso haja infecção, ela é chamada de pielonefrite obstrutiva.

Em vigência de infecção, é realizada somente a drenagem da via urinária, para posterior programação da retirada da pedra no rim.

Caso não haja infecção, é possível a cirurgia de pedra no rim por via endoscópica e remoção deste cálculo.

Hiperplasia prostática benigna

Esta é uma causa exclusivamente masculina.

Ela ocorre mais em homens a partir dos 50 anos de idade e pode ser chamada de “próstata aumentada” ou inchada.

É uma alteração benigna em que a próstata aumenta gradativamente e causa sintomas de esvaziamento e armazenamento.

Ou seja, o paciente pode apresentar dificuldade para urinar, jato urinário fraco, gotejamento pós miccional, ardência para urinar, assim como urgência miccional e noctúria.

Em casos iniciais, o homem não apresenta sintomas.

No entanto, em casos mais graves, o paciente pode apresentar sintomas intensos e uma dificuldade significativa para esvaziar a bexiga.

Nestes casos, a hidronefrose ocorre bilateralmente, ou seja, em ambos os rins.

O tratamento desta condição varia de acordo com o tamanho da próstata, idade do paciente e materiais disponíveis, mas inclui desde o uso de medicamentos até cirurgias.

Estenose de JUP

A estenose da junção ureteropiélica (JUP) é o estreitamento da transição entre o rim e o ureter.

Este estreitamento pode ser congênito ou adquirido. É a causa mais comum de hidronefrose antenatal.

Ela impede a passagem da urina do rim para o ureter e isso causa uma dilatação progressiva e crônica.

Quando presentes, os principais sintomas são:

  • Dor lombar;
  • Infecções urinárias de repetição;
  • Dor abdominal após micção.

No entanto, em muitos casos, essa doença é silenciosa e não causa sintomas até ocorrer uma dilatação significativa do rim.

Ela costuma ser identificada por exames de imagem como a urotomografia computadorizada com contraste endovenoso.

Exames complementares como a cintilografia DTPA e DMSA são necessários para avaliar a função deste rim.

O tratamento depende do tipo, extensão da estenose e causa, mas basicamente consiste na retirada da junção ureteropiélica estreita e sua reconstrução.

Urologista Particular em São Paulo, Dr. Eduardo Costa
Diversos tumores do trato urinário (círculo em vermelho) podem obstruir o fluxo da urina e gerar uma hidronefrose.

Tumores do trato urinário

Diversos tumores podem impedir a passagem da urina e levar ao acúmulo de urina e um rim dilatado.

Dentre eles, os principais são os de trato urinário superior (pelve renal e ureter) e de bexiga.

Trato urinário superior (pelve renal e ureter)

Os tumores do trato urinário superior envolvem desde a pelve renal, cálices até o ureter.

As lesões apresentam diferentes tipos, tamanhos, profundidade e multiplicidade. Elas podem estar associadas ou não a tumores de bexiga.

Dentre os principais sintomas, destacam-se:

  • Sangramento na urina (visível ou microscópico);
  • Cólica renal;
  • Emagrecimento (principalmente em casos avançados).

O diagnóstico é realizado através de exames de imagem como a urotomografia com contraste, cistoscopia e ureteroscopia com biópsia.

O tratamento depende do estadiamento do tumor e varia desde a ressecção de um segmento do ureter até a remoção completa do rim e do ureter.

Bexiga

O câncer de bexiga, quando comprime a saída do ureter, também gera a hidronefrose.

Pode causar sangramentos na urina, aumento da frequência urinária, sensação de bexiga cheia e emagrecimento.

Ele é suspeitado por exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia, no entanto, seu diagnóstico só é confirmado pela cistoscopia com biópsia.

Após a biópsia, é possível identificar o grau do tumor e a sua extensão.

Nos tumores superficiais, a “raspagem da bexiga” por via endoscópica é um tipo de tratamento.

No entanto, em tumores profundos localizados, diversas condições individuais de cada paciente devem ser avaliadas.

O tratamento de escolha é a retirada completa da bexiga com derivação urinária.

Obstruções extrínsecas

Todas as causas externas de compressão do trato urinário são classificadas como uma obstrução extrínseca.

Normalmente isso ocorre após o crescimento benigno ou maligno de estruturas adjacentes ao ureter.

Dentre eles, destacam-se:

  • Gravidez (presente em até 80% das gestantes);
  • Miomas extensos;
  • Cistos de ovário volumosos;
  • Endometriose;
  • Câncer de colo do útero;
  • Tumores retroperitoneais;
  • Fibrose retroperitoneal.

Nestes casos, é fundamental a desobstrução dos rins e identificação das causas externas.

O tratamento é extremamente variável e depende da causa e estadiamento da doença.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado a partir de exames de imagem.

Dentre os principais, destacam-se a ultrassonografia dos rins e das vias urinárias e a tomografia computadorizada de abdome e pelve.

Entretanto, múltiplos exames complementares podem ser solicitados para a identificação precisa da causa, por exemplo, a ressonância magnética da pelve na suspeita de doenças ginecológicas.

Tratamento

O tratamento da hidronefrose é feito através da desobstrução das vias urinárias e resolução da causa.

Essa desobstrução pode ser realizada basicamente de três formas:

  • Sonda vesical de demora;
  • Cateter duplo J;
  • Nefrostomia.

Estes dispositivos auxiliam na drenagem de urina, no entanto, é fundamental identificar o local e a causa da obstrução, a fim de utilizar o dispositivo mais adequado.

Uma revisão sistemática publicada no Scientific Reports, que comparou a nefrostomia com o duplo J em pacientes com hidronefrose, apresentou resultados favoráveis para ambos os procedimentos.

Ela identificou que não há diferença na melhora dos padrões infecciosos, taxa de falha, qualidade de vida e dor após ambos os procedimentos.

Sendo assim, ela considerou que ambos são eficazes e devem ser utilizados para a descompressão das vias urinárias.

Onde tratar a hidronefrose?

Eu faço a investigação desta alteração no meu consultório, localizado no Jardim Paulista em São Paulo-SP.

Caso sejam necessários procedimentos cirúrgicos, eles podem ser realizados nos principais hospitais da região.

Para entrar em contato, clique aqui ou no símbolo de WhatsApp ao lado.

Conclusão

Neste artigo explicamos o que é a hidronefrose, sintomas, causas e tratamentos.

Este é um achado de exame que sempre deve ser investigado e tratado adequadamente.

Espero que tenham gostado do artigo!

Um abraço.

Perguntas frequentes

Hidronefrose cura sozinha?

Não. A maioria dos casos em adultos não se cura sozinha, somente após o tratamento.

Em casos de exceção, como quando um cálculo no ureter é eliminado espontaneamente, pode ocorrer a cura da hidronefrose sem intervenções.

Já em fetos e recém nascidos, a taxa de cura espontânea da hidronefrose é alta.

O que a hidronefrose pode causar?

Ela causa um dano progressivo no parênquima do rim, o que leva ao prejuízo da função renal, que pode ser irreversível, mesmo após a desobstrução.

Desta forma, a identificação da causa e a desobstrução precoce são fundamentais para preservar a função renal.

Referências

  1. Zul Khairul Azwadi, Ismail et al. “Percutaneous nephrostomy versus retrograde ureteral stenting for acute upper obstructive uropathy: a systematic review and meta-analysis.” Scientific reports vol. 11,1 6613. 23 Mar. 2021, doi:10.1038/s41598-021-86136-y
  2. Ye, Tao et al. “Prognostic Value of Preoperative Hydronephrosis in Patients Undergoing Radical Nephroureterectomy for Upper Tract Urinary Carcinoma: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Frontiers in oncology vol. 10 600511. 11 Dec. 2020, doi:10.3389/fonc.2020.600511
  3. Rasmussen, P E, and F R Nielsen. “Hydronephrosis during pregnancy: a literature survey.” European journal of obstetrics, gynecology, and reproductive biology vol. 27,3 (1988): 249-59. doi:10.1016/0028-2243(88)90130-x

Artigo escrito por:

Dr. Eduardo Costa

Dr. Eduardo Costa

Médico Urologista. CRM: 175220-SP | RQE: 103714 Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (Cirurgia Robótica, Videolaparoscopia e Laser)

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