Litíase renal bilateral: O que é? Quando tratar?  | Dr. Eduardo Costa

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Você realizou um ultrassom de rotina e foi identificada uma litíase renal bilateral.

O que é isso? Devo me preocupar?

O objetivo deste artigo é explicar o que é a litíase renal bilateral, suas causas, sintomas, diagnóstico e quando o tratamento desta condição deve ser realizado.  

O que é litíase renal bilateral?

É a presença de pedras no interior de ambos os rins.

Também pode ser chamada de nefrolitíase bilateral.

Estes cálculos estão localizados em diferentes partes do rim, como a pelve renal e os cálices superior, médio e inferior.

Podem apresentar diversos tamanhos e densidade (dureza) diferentes.

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A litíase renal bilateral nada mais é do que a presença de pedras dentro de ambos os rins.

Causas

A litíase renal forma-se em ambos os rins devido a múltiplos fatores, como:

  • Baixa ingestão de líquidos;
  • Alta ingestão de proteínas;
  • Alto consumo de sódio;
  • Sedentarismo;
  • Sobrepeso;
  • Alta ingestão de purinas e oxalato;
  • Causas genéticas.

Sintomas

A litíase renal bilateral pode ser assintomática, ou seja, não causar nenhum sintoma.

No entanto, elas podem manifestar em alguns casos:

  • Dor nas costas;
  • Sangramento na urina;
  • Infecção urinária de repetição;
  • Febre.

Estes sintomas são mais frequentes em cálculos maiores.

Entretanto, podem estar presentes em cálculos menores que obstruem o ureter.

Diagnóstico

A nefrolitíase bilateral é diagnosticada através de exames de imagem, como a ultrassonografia e a tomografia.

A tomografia computadorizada de abdome e pelve é um exame superior ao ultrassom, pois fornece informações mais específicas, como:

  • Localização exata do cálculo;
  • Densidade;
  • Tamanho;
  • Anatomia da via urinária.

Estas informações são fundamentais para decidir o melhor tratamento.

Tratamento

O tratamento da litíase renal bilateral é extremamente variável e depende da presença de sintomas, tamanho, quantidade e tipo dos cálculos.

Ele é dividido em tratamento não cirúrgico e cirúrgico.

Dentre os tratamentos não cirúrgicos, destacam-se o tratamento conservador, uso de remédios para dissolução dos cálculos e a litotripsia extracorpórea.

Já os tratamentos cirúrgicos, são divididos em litotripsia intracorpórea e a cirurgia percutânea.

Tratamentos não cirúrgicos

Conservador

O tratamento conservador corresponde ao acompanhamento dos cálculos renais pelo médico urologista.

Ou seja, nenhum procedimento será realizado para a remoção destes cálculos.

A ingesta adequada de líquidos é fundamental neste tipo de tratamento, assim como a adoção de diversas medidas para evitar a formação e/ou crescimento de novos cálculos renais.

É recomendada para os seguintes casos:

  • Pacientes sem sintomas;
  • Microcálculos;
  • Pequenos cálculos de cálice inferior;
  • Pessoas que fazem acompanhamento regular com o urologista;

É essencial que estes pacientes informem seu médico urologista caso apresentem sintomas, como dores nas costas, febre e sangramento na urina.

Remédios

O tratamento com remédios para dissolver a litíase renal só é possível para os cálculos de ácido úrico.

Este tipo de pedra no rim é extremamente frágil e apresenta baixa densidade, sendo possível a sua dissolução através de medicamentos que aumentam o pH urinário.

Litotripsia extracorpórea (ondas de choque)

A litotripsia extracorpórea é um tipo de tratamento não cirúrgico em que ocorre a fragmentação dos cálculos renais através da emissão de ondas de choque.

É um procedimento indolor, que pode ser realizado em uma única ou múltiplas sessões.

Ele consiste em fragmentar o cálculo em pequenos fragmentos, que serão eliminados espontaneamente na urina.

É realizado em ambiente ambulatorial em 30 a 60 minutos.

No entanto, apresenta diversas limitações e não deve ser aplicado em múltiplos casos, como:

  • Cálculos extensos;
  • Cálculos muito rígidos (alta densidade);
  • Gestantes;
  • Infecção de urina ativa;
  • Obesidade severa;
  • Pacientes com problemas de coagulação.

Tratamentos cirúrgicos

Litotripsia intracorpórea

É a cirurgia de pedra nos rins a laser, cirurgia endoscópica realizada por dentro das vias urinárias.

O laser permite a fragmentação do cálculo em múltiplos pedaços, que são removidos logo em seguida, durante o mesmo procedimento.

É uma cirurgia rápida e simples, muito realizada pelos médicos urologistas.

Ao fim do procedimento, pode ser necessária a passagem de um cateter duplo J, um dispositivo temporário que conecta o rim até a bexiga e garante a drenagem adequada de urina.

Este tratamento pode ser indicado para a maior parte dos cálculos renais, em uma ou mais sessões.

De acordo com uma revisão sistemática publicada no Journal of Endourology, a realização da cirurgia de pedra nos rins simultânea (em ambos os rins) é possível e eficaz.

No entanto, pode ocorrer uma maior incidência de complicações.

Esse procedimento também apresenta certas limitações, principalmente para o tratamento dos cálculos:

  • Coraliformes (completos ou não);
  • Extensos e de alta densidade (rigidez);
  • Presentes em cálice inferior de difícil acesso.

Cirurgia percutânea

A cirurgia percutânea é a modalidade de escolha para o tratamento de cálculos coraliformes e de alta densidade.

Ela consiste em um procedimento em que é feita uma incisão lombar ou abdominal, seguida da punção e dilatação do rim.

Após isso, é realizada a fragmentação ultrassônica destes cálculos que são imediatamente removidos.

É um procedimento mais invasivo, que apresenta maiores riscos e complicações, como sangramento, fístulas arteriovenosas, aneurismas e infecções.

Onde tratar litíase renal bilateral?

Eu realizo a investigação desta condição no meu consultório, localizado no Jardim Paulista em São Paulo-SP.

Caso seja necessário o tratamento cirúrgico da litíase renal, realizo nos principais hospitais da região.

Para entrar em contato, clique aqui ou no símbolo de WhatsApp ao lado.

Conclusão

Neste artigo, explicamos o que é a litíase renal bilateral, suas causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos.

Este é um achado de exame muito frequente que deve ser acompanhado pelo médico urologista.

Espero que tenham gostado do artigo!

Um abraço.

Perguntas frequentes

Quais as complicações da litíase renal bilateral?

Podem ocorrer desconfortos lombares, infecções urinárias de repetição, perda gradual da função renal e até crises renais (quando há a migração e obstrução do cálculo no ureter).

O que provoca a litíase renal?

Ela pode ser causada pela baixa ingesta de líquidos, alta ingesta de sódio (sal), proteínas, oxalato e purinas, sedentarismo, sobrepeso, causas genéticas e baixa ingesta de citrato.

Referências

  1. Raizenne, Brendan L et al. “The Impact of Bilateral Stone Disease on Patients’ Disease Progression and Health-Related Quality of Life.” Journal of endourology vol. 37,12 (2023): 1289-1294. doi:10.1089/end.2023.0132
  2. Ge, Hongwei et al. “Bilateral Same-Session Ureteroscopy for Treatment of Ureteral Calculi: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Journal of endourology vol. 30,11 (2016): 1169-1179. doi:10.1089/end.2016.0472

Artigo escrito por:

Dr. Eduardo Costa

Dr. Eduardo Costa

Médico Urologista. CRM: 175220-SP | RQE: 103714 Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (Cirurgia Robótica, Videolaparoscopia e Laser)

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