Retirada do Cateter duplo J: Como é feita? | Dr. Eduardo Costa

retirada do cateter duplo j

A retirada do cateter duplo J é um evento que todos os pacientes almejam desde a sua inserção.

Isto porque, este dispositivo pode causar um grande incômodo, principalmente ao final da micção, além de sangramentos e aumento da frequência urinária.

Ele pode ser inserido com ou sem fio externo e isso implica na sua retirada.

O objetivo deste artigo é explicar como é feita a retirada do cateter duplo J.

O que é o duplo J?

O duplo J é um discreto cateter que comunica o rim até a bexiga. Ele apresenta duas extremidades enroladas em formato de J, que evitam o seu deslocamento.

É utilizado por dias ou semanas após diversos procedimentos urológicos – pedras nos rins, infecções do trato urinário e estreitamentos do ureter – com a finalidade de garantir a perviedade e a drenagem adequada de urina dos rins até a bexiga, preservando a função renal.

Normalmente ele é inserido por via endoscópica, por dentro da bexiga, sem incisões ou cortes no abdome. No entanto, também pode ser inserido por via retrógrada (do rim para a bexiga) ou até por via abdominal.

Após a sua inserção, pode ficar com um fio externo que é fixado no púbis ou na glande, para a sua retirada precoce, ou sem nenhum fio (para a retirada tardia).

Desconforto ao urinar, sensação de bexiga cheia e dor pélvica se destacam entre os principais sintomas do cateter duplo J.

Desta forma, a sua remoção é extremamente almejada pelos pacientes.

Retirada do cateter duplo J

O duplo J deve sempre ser removido ou trocado, a depender de cada caso.

A forma de retirada varia de acordo com o tipo de duplo J que foi inserido (com fio externo ou não).

A seguir, explicaremos os detalhes de cada um desses tipos e como é feita a sua retirada.

Com fio externo

O cateter duplo J com fio externo é indicado quando o paciente permanecerá com o cateter somente por um breve período de tempo, normalmente 7 dias.

Ele é utilizado rotineiramente após a cirurgia para retirada de pedra no rim.

Possui um fio de nylon que conecta a extremidade distal do duplo J com a superfície externa da uretra.

Nos homens, os fios são fixados normalmente por meio de um curativo na glande ou na haste peniana.

Já nas mulheres, o curativo com o fio é fixado no púbis ou na raiz da coxa.

Apresenta uma chance extremamente maior de se deslocar quando comparado ao duplo J sem fio externo.

E isso acontece devido a possíveis trações do fio, ao realizar alguns tipos de movimentos ou após o mesmo prender na roupa.

Como é feita a retirada do duplo J com fio?

Ela pode ser realizada em clínicas ou no consultório médico, sem anestesia.

É um procedimento simples, rápido e que causa pouco desconforto.

O urologista irá puxar este fio gradativamente e o duplo J irá sair por completo.

Este procedimento tem duração de poucos segundos.

retirada do cateter duplo j com fio externo
O fio externo do duplo J facilita a sua remoção, sendo realizada no próprio consultório.

Sem fio externo

Neste caso, o duplo J fica inteiramente dentro da via urinária, com uma extremidade no rim e outra na bexiga, sem nenhum fio exteriorizado.

Ele é indicado para casos em que há a necessidade de permanência deste dispositivo por um período mais prolongado.

A recomendação é que ele seja removido ou trocado após 4 a 8 semanas. Caso contrário, podem ocorrer complicações do duplo J (infecções, calcificações e outras).

É utilizado após cirurgias de pedra no rim a laser com lesões ureterais, estreitamentos ureterais e após reconstruções das vias urinárias.

retirada do cateter duplo j sem fio externo
A remoção do duplo J sem fio externo, é realizada no centro cirúrgico, sob sedação e através de um cistoscópio.

Como é removido o duplo J sem fio?

A sua retirada é feita no centro cirúrgico sob sedação e anestesia local.

É um procedimento simples e rápido, com duração de 5 minutos, realizado inteiramente por via endoscópica, sem cortes na pele.

O cirurgião irá entrar com um aparelho chamado cistoscópio na uretra e chegar até a bexiga. Este equipamento apresenta um canal para a entrada e saída de líquidos, acoplada a uma câmera.

Ele identifica a extremidade do duplo J e a puxa com auxílio de uma pinça.

Após isso, o procedimento é finalizado, o paciente irá ao repouso anestésico e quando bem acordado e alimentado, irá de alta hospitalar.

Recuperação

A recuperação é bem tranquila, independente se a retirada foi com ou sem fio externo.

Pode ocorrer uma discreta cólica abdominal, sangramento na urina e desconforto ao urinar.

Estes sintomas são autolimitados e melhoram com o uso de analgésicos e uma hidratação adequada nos primeiros dias.

No entanto, existem alguns cuidados que merecem destaque.

Cuidados após a remoção do cateter

É fundamental que os pacientes sigam algumas orientações, para evitar desconfortos e maiores complicações, sendo elas:

  • Ingesta hídrica adequada e fracionada, ao longo do dia;
  • Não realizar esforço físico intenso por 02 dias;
  • Não ter relações sexuais nas primeiras 24 horas;
  • Utilizar os medicamentos prescritos;
  • Em caso de febre, sangramento ou dor persistente, entrar em contato diretamente com o seu urologista.

Conclusão

Neste artigo, explicamos como é feita a retirada do cateter duplo J.

É um procedimento simples, que pode ser realizado em centro cirúrgico ou no próprio consultório médico.

Espero que tenham gostado do artigo!

Um abraço.

Perguntas frequentes

Destacamos agora, as principais dúvidas sobre a remoção do cateter duplo J.

Precisa de anestesia para retirar o cateter duplo J?

Depende. Se o duplo J estiver com fio externo, a retirada pode ser realizada no consultório ou clínica sem anestesia.

No entanto, se o duplo J estiver sem fio externo, é necessário que esse procedimento seja feito em centro cirúrgico sob sedação e anestesia local.

Quando tira o duplo J dói?

Após a retirada do duplo J, pode ocorrer um leve desconforto em forma de cólica na região dorsal e pélvica, assim como sangramento e desconforto ao urinar.

Estes sintomas são autolimitados e normalmente melhoram após alguns dias.

Referências

  1. European Association of Urology.
  2. Joshi, H B et al. “Indwelling ureteral stents: evaluation of symptoms, quality of life and utility.” The Journal of urology vol. 169,3 (2003): 1065-9; discussion 1069. doi:10.1097/01.ju.0000048980.33855.90

Artigo escrito por:

Dr. Eduardo Costa

Dr. Eduardo Costa

Médico Urologista. CRM: 175220-SP | RQE: 103714 Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (Cirurgia Robótica, Videolaparoscopia e Laser)

Utilizamos cookies para tornar melhor a sua experiência em nosso site. Assim, podemos personalizar conteúdos e oferecer uma navegação mais segura. Ao continuar, você aceita o uso de cookies. Acesse nossa Política de Privacidade para saber mais