Cisto no Rim é Perigoso? Pode virar câncer?

cisto no rim é perigoso

Você acabou de receber seus exames de rotina e foi identificado um cisto no rim.

E agora? O que eu devo fazer? O cisto no rim é perigoso? Pode virar câncer?

Fique tranquilo (a)!

O objetivo deste artigo é explicar sobre o cisto renal, sua relação com o câncer e quando devemos nos preocupar.

O que é um cisto no rim?

O cisto no rim é uma formação arredondada com conteúdo líquido no seu interior que se assemelha a uma “bolha”.

Em torno de 50% dos adultos com mais de 50 anos, apresentarão um cisto no rim.

Ele pode apresentar diversos tamanhos e se localizar em diferentes partes do rim, podendo acometer somente um lado ou ser bilateral.

Quando localizado no córtex do rim, é denominado cisto cortical. Quando localizado perto da pelve renal, é denominado parapiélico.

É valido lembrar que a presença dos cistos não tem relação nenhuma com a formação de pedra nos rins.

cisto no rim, ilustração de um rim com múltiplos cistos arredondados vermelhos
Ilustração de múltiplos cistos nos rins (círculos vermelhos).

Tipos de Cistos Renais 

Os cistos nos rins podem ser simples ou complexos.

Os cistos simples são aqueles que apresentam características típicas de lesões benignas como poucas calcificações, paredes homogêneas e conteúdo anecóico.

Já os cistos complexos, podem apresentar multisseptações, calcificações grosseiras, paredes heterogêneas e características infiltrativas.

Estes cistos complexos, assim como os nódulos renais, exigem investigação adicional com tomografia computadorizada com contraste pelo risco de câncer renal.

É importante lembrar que independente das características fornecidas pelo laudo ultrassonográfico ou tomográfico dos cistos, é fundamental sempre mostrar estes exames ao médico urologista para uma avaliação completa.

Abaixo, vocês podem observar uma foto de cistos no rim.

Classificação dos Cistos nos Rins

São classificados a partir das características do cisto no exame de tomografia computadorizada:

Classificação Bosniak

I: Cisto simples benigno com paredes finas e conteúdo líquido homogêneo, sem septações ou calcificações. Não apresenta realce pós-contraste.

II: Cisto simples benigno com alterações mínimas. Presença de septos finos, discreta calcificação, conteúdo um pouco mais denso com tamanho menor que 3cm. Não apresenta realce pós-contraste.

IIF: Cisto complexo com septações múltiplas e mais grosseiras, parede com leve espessamento e contorno regular. Pode apresentar calcificações espessas e nodulares, mas não há realce após o contraste.

Este grupo também inclui lesões intrarrenais hiperatenuantes, de paredes regulares, maiores que 3cm. Também não apresentam realce após contraste.

III: Cisto indeterminado. Apresentam septações irregulares e espessamento que realçam após o contraste.

IV:  Cisto maligno. Apresenta conteúdo sólido, grosseiro, multisseptado, irregular e com realce significativo pós-contraste.

Esta classificação é de extrema importância para o médico urologista.

Na seção de tratamento, falaremos sobre o tipo de tratamento e seguimento para cada classificação.

Causas

A causa exata ainda é desconhecida.

Diversas teorias sugerem que a fraqueza da camada superficial do rim, pode permitir a passagem de líquido, e assim, a formação dos cistos.

Outra teoria é que ele ocorre após a obstrução de um dos milhões de microtúbulos que compõe os rins.

É mais prevalente no homem do que na mulher e sua incidência também aumenta com a idade.

Diversos estudos científicos descrevem que, após os 40 anos, 25% da população poderá apresentar um cisto no rim. Já após os 50 anos, esta estimativa aproxima-se de 50%.

Sintomas

Normalmente não causam sintomas. São achados de exames no ultrassom ou tomografia computadorizada.

Quando presentes, os sintomas podem ser:

  • Dor lombar
  • Dor abdominal com irradiação da costela para o quadril
  • Febre
  • Sangramento na urina

Vale lembrar que os sintomas são mais comuns nos cistos extensos, que exercem pressão sobre as estruturas adjacentes.

Diagnóstico

O diagnóstico ocorre por meio de um exame de imagem, sendo a ultrassonografia o exame inicial.

O diagnóstico de certeza é realizado através da tomografia computadorizada de abdome com contraste.

A tomografia identifica características mais específicas deste cisto, como a captação de contraste, a presença de calcificações, septações, espessamento da parede e irregularidades.

Esse exame é de suma importância para diferenciar cistos de massas renais, compatíveis com tumor.

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Cisto no Rim é Perigoso?

Depende.

Em sua vasta maioria, os cistos simples são achados de exames que só exigem acompanhamento e não necessitam de tratamento ou cirurgia.

No entanto, os cistos complexos apresentam uma chance de serem malignos.

Nesses casos, o tratamento varia de acompanhamento tomográfico, até uma cirurgia robótica de rim.

Pode virar câncer?

Não. Os cistos renais não se transformam em câncer.

O que acontece é que alguns tipos de cistos complexos apresentam características semelhantes a tumores renais. Ou seja, alguns cistos renais já são malignos e exigem tratamento.

Por isso, a investigação e o seguimento com o médico urologista é fundamental para diagnosticar e tratar esses tipos de cistos.

Quando já é considerado um câncer de rim?

Uma série de alterações identificadas na tomografia com contraste são sugestivas de malignidade, sendo as principais:

– Cistos complexos no rim

– Cistos com paredes espessadas e irregulares, multisseptações e calcificações grosseiras

– Captação de contraste

– Associados à nódulos renais

– Lesões infiltrativas e irregulares

Estes achados exigem maior atenção, pois existe o risco de serem um câncer de rim.

É válido lembrar que algumas neoplasias renais apresentam relação com o câncer de bexiga, que também devem ser investigadas.

Sendo assim, o seguimento e tratamento com o médico urologista é fundamental.

Como tratar os cistos nos rins?

O tratamento varia de acordo com a classificação do cisto renal.

Quanto maior a classificação, maior a chance do cisto ser maligno.

Os dados descritos abaixo são provenientes de uma revisão sistemática publicada na revista científica internacional The Journal Of Urology.

Bosniak 1 e 2: O seguimento é suficiente, não exigindo tratamento.

Bosniak 2F:  Há um risco malignidade. Nestes casos, realiza-se o acompanhamento rigoroso com exames de imagem por até 05 anos.

Bosniak 3: A chance de malignidade é de aproximadamente 51%. O tratamento cirúrgico é uma opção, embora possa ser acompanhado ativamente.

Bosniak 4: A grande maioria é maligno (89%). O tratamento cirúrgico é a única opção.

É importante ressaltar que atualmente não existem tratamentos medicamentosos cientificamente comprovados para eliminar os cistos renais.

Os cistos devem ser acompanhados ou tratados cirurgicamente, de acordo com a sua classificação.

Quando um cisto no rim é considerado grande?

É considerado grande quando causa sintomas compressivos das estruturas adjacentes, independentemente do seu tamanho.

No entanto, cistos maiores que 05 cm são mais propensos a causarem sintomas e exigem acompanhamento, mesmo quando simples.

Onde tratar ?

Realizo a investigação dos cistos renais no meu consultório e o tratamento cirúrgico nos principais hospitais de São Paulo (SP).

Ele fica localizado no Jardim Paulista em São Paulo, próximo aos bairros: Jardins, Bela Vista, Pinheiros, Higienópolis e Consolação.

Para contato, clique aqui ou no símbolo de whatsapp ao lado.

Conclusão

Neste artigo trouxemos uma série de informações sobre os cistos renais, seus tipos, sintomas, diagnóstico e tratamento.

Lembre-se de sempre acompanhar o cisto renal com o seu médico urologista.

Espero que tenham gostado do artigo!

Um abraço.

Bibliografia

  1. Ministério da Saúde. https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2022/20220601_ddt_ccr_cp_38.pdf
  2. Mayo Clinic. https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/kidney-cysts/symptoms-causes/syc-20374134
  3. Schoots, Ivo G et al. “Bosniak Classification for Complex Renal Cysts Reevaluated: A Systematic Review.” The Journal of urology vol. 198,1 (2017): 12-21. doi:10.1016/j.juro.2016.09.160
  4. National Institute of Kidney Diseases. https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/simple-kidney-cysts#howcommon

Artigo escrito por:

Dr. Eduardo Costa

Dr. Eduardo Costa

Médico Urologista. CRM: 175220-SP | RQE: 103714 Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (Cirurgia Robótica, Videolaparoscopia e Laser)

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